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E se a castidade fosse aprender a amar melhor?

Para Nazarena Garay, compreender a castidade mudou sua maneira de entender o amor, a liberdade e o relacionamento. Sua experiência mostra que viver a castidade vai além de estabelecer limites: significa aprender a cuidar do outro, respeitar sua liberdade e construir uma intimidade que vai muito além do contato físico.
- Mais do que uma simples regra
- Descobrir que a castidade é mais que uma proibição
- Amar também é cuidar
- E o desejo sexual?
- Uma liberdade que se aprende
- Quando estabelecer um limite também é amar
- Estar apaixonado não significa já saber amar
- Livres para amar
Mais do que uma simples regra
Quando Nazarena ouviu falar de castidade pela primeira vez, pensou que já sabia o que significava: “não ter relações sexuais até o casamento”. Para ela, era pouco mais que uma regra que os católicos precisavam cumprir. Com o tempo, essa definição começou a parecer limitada.
Hoje, aos 27 anos, Nazarena Garay, de Lima, no Peru, fala da castidade a partir da própria experiência. É antropóloga e está estudando marketing. Junto com o namorado, desenvolve um projeto nas redes sociais para acompanhar jovens que desejam aprender a viver o amor com mais maturidade, liberdade e responsabilidade.
Descobrir que a castidade é mais que uma proibição
Em uma fase da vida, Nazarena viveu relacionamentos nos quais teve relações sexuais antes do casamento. Com o tempo, reconheceu que essas experiências influenciaram sua relação com o próprio corpo, sua percepção da própria dignidade e do amor que acreditava merecer. Chegou a pensar que a castidade era uma fachada religiosa ou uma forma de controlar a vida afetiva.
Sua experiência de fé a levou a descobrir outra perspectiva. Quando decidiu viver a castidade, compreendeu que não se tratava apenas de dizer “não” a determinadas práticas, mas de aprender uma nova maneira de olhar para o amor.
Essa decisão aconteceu em 10 de dezembro de 2021, diante de Jesus na Eucaristia. Ela viveu a castidade enquanto estava solteira, até 2024, e depois precisou aprender a vivê-la dentro de um relacionamento. Foi aí que descobriu algo importante: a castidade também envolve aprender a cuidar do coração, do corpo e do caminho do outro.
Essa experiência se relaciona com a pergunta 67 de YOUCAT Love Forever: “Perco a minha liberdade quando eu me envolvo numa relação amorosa?” Para Nazarena, aprender a viver a castidade esteve profundamente ligado à descoberta de que amar alguém não significa deixar de ser livre.
Amar também é cuidar
No relacionamento atual, Nazarena e o namorado procuram se perguntar o que realmente contribui para o bem do outro. No início do namoro, chegaram a colocar algumas orientações por escrito. Identificaram situações que poderiam ser difíceis e criaram seus próprios “botões de ajuda”: recursos práticos para se preparar para determinados momentos e cuidar um do outro.
Queriam se conhecer melhor e tomar decisões conscientes, sem deixar que o medo conduzisse o namoro.
Também descobriram que os limites vão além da intimidade física. Podem aparecer em algo tão cotidiano quanto decidir a hora de encerrar uma ligação porque, no dia seguinte, um dos dois precisa trabalhar ou estudar.
“Já está tarde, descansa. Amanhã a gente continua conversando” também pode ser uma expressão de amor.
E, quando alguém precisa dizer “esse é o meu limite”, a reação do outro importa. Para Nazarena, saber que esse limite será respeitado sem pressão, raiva ou manipulação fortaleceu a confiança no relacionamento.
“Um limite não é uma rejeição: pode ser uma maneira concreta de dizer: ‘Eu te amo, por isso cuido de você’.”
E o desejo sexual?
Falar de castidade não significa negar a existência do desejo sexual. Nazarena não apresenta sua experiência como uma fórmula para eliminar as dificuldades, mas como um caminho para aprender a lidar com elas.
Nos momentos de tentação, ela e o namorado procuram voltar a uma pergunta simples: “O que é mais importante que um momento de prazer?” A partir daí, buscam recordar que tipo de relacionamento querem construir e o que significa procurar o bem do outro.
Esperar também não significa viver o amor “pela metade”. Pelo contrário: a espera abriu outras possibilidades de intimidade, como conversar, escutar, rezar, servir, compartilhar projetos, surpreender um ao outro e se divertir juntos.
Nazarena também fala da criatividade que nasce quando o relacionamento não gira em torno da intimidade física. Assim, o namoro pode se tornar um tempo para conhecer o outro de diferentes maneiras e descobrir quem é, de verdade, a pessoa que está à sua frente.
Se você quiser se aprofundar nesse tema, pode consultar as páginas 58–61 de YOUCAT Love Forever. Ali, encontrará uma reflexão sobre a sexualidade como uma dimensão que envolve a pessoa inteira e sobre a importância de olhar para o outro com respeito por sua liberdade e dignidade.
Uma liberdade que se aprende
Talvez a palavra que mais apareça no testemunho de Nazarena seja liberdade.
Ela reconhece que, por muito tempo, confundiu ser livre com fazer o que sentia vontade a cada momento. A castidade a ajudou a descobrir outra possibilidade: também somos livres quando conseguimos dizer “não” a algo que desejamos porque escolhemos um bem que consideramos maior.
Por isso, ela também não quer que o namorado permaneça ao seu lado por obrigação, dependência ou porque a intimidade física os mantenha unidos. Quer que ele possa escolhê-la livremente, assim como ela pode escolhê-lo.
Em sua experiência, a castidade mudou a pergunta. Já não se trata apenas de “até onde podemos ir?”, mas de “como podemos nos amar melhor?”.
Quando estabelecer um limite também é amar
Para Nazarena, aprender a viver a castidade também significou aprender a acolher os limites do outro sem interpretá-los como rejeição.
No namoro, qualquer um dos dois pode dizer “esse é o meu limite” e saber que o outro vai respeitá-lo sem pressão, raiva ou manipulação. Às vezes, basta mudar de ambiente, sair para caminhar, tomar um sorvete ou procurar outra atividade de que possam desfrutar juntos.
Esse aprendizado se estende até às pequenas situações: respeitar as horas de sono do outro, saber quando encerrar uma conversa ou evitar que o namoro ocupe todo o espaço da vida.
Por isso, Nazarena considera importante conversar sobre os limites antes de se encontrar em uma situação difícil. No início do namoro, ela e o namorado colocaram algumas orientações por escrito e identificaram juntos o que poderia ajudá-los. Era uma maneira de se conhecer e cuidar melhor um do outro, mais que uma lista de proibições.
Estar apaixonado não significa já saber amar
Há algo mais que Nazarena descobriu nesse caminho: nem sempre sabemos amar só porque estamos apaixonados.
Por isso, a formação na fé, a oração, a comunidade e o acompanhamento tiveram um lugar importante no relacionamento. Assim como as conversas com outros casais, inclusive com pessoas casadas há mais tempo. Para ela, pedir ajuda significa reconhecer que aprender a amar leva tempo; não significa que o namoro esteja mal.
Foi justamente por isso que YOUCAT Love Forever se tornou uma ferramenta concreta para Nazarena e o namorado. Eles encontraram o livro quando buscavam recursos para conversar sobre temas nem sempre fáceis de abordar a dois: amor, sexualidade, castidade e discernimento — a busca por compreender qual caminho seguir. O livro lhes deu uma linguagem comum para fazer perguntas e tomar decisões com mais consciência.
Se você quiser se aprofundar nessa dimensão, pode consultar a pergunta 25 de YOUCAT Love Forever: “Procurar um orientador espiritual é uma boa ideia?” Ela pode ajudar você a pensar com quem conversar sobre seu namoro, suas dúvidas e as decisões que está tomando.
Livres para amar
Nazarena não apresenta sua história como uma receita para outros casais. Seu caminho foi pessoal: houve feridas, decisões, uma conversão na maneira de entender o amor e, depois, o aprendizado de viver essa convicção dentro de um relacionamento.
Para ela, a castidade significou aprender a estabelecer limites, respeitar o ritmo do outro, descobrir novas formas de intimidade e deixar de medir o amor pelo quanto alguém está disposto a entregar fisicamente. Também significou aceitar que amar bem exige formação, conversa, oração e, às vezes, acompanhamento.
Talvez essa também seja uma boa maneira de se aproximar da castidade: começar perguntando que tipo de amor você quer aprender a viver, além daquilo de que precisa se abster.
Para Nazarena, a resposta foi ganhando forma com o tempo: “A castidade não tirou de mim a possibilidade de amar; ela me ensinou que eu também merecia um amor que não me machucasse.”
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